O mais laureado bodybuilder profissional do Brasil de todos os tempos, Eduardo Corrêa, planeja sua volta aos palcos com foco no Olympia 2019.

A
pesar dos boatos de sua aposentadoria como competidor, o atleta que se submeteu a várias intervenções cirúrgicas nos últimos anos, finaliza seu período de recuperação e programa seu retorno às competições.

Eduardo Correa vem competindo nos mais altos níveis do bodybuilding profissional há mais de uma década. A rigor, desde 2002, quando venceu a Categoria Junior no Mr. Universe, o atleta se submete a árduos e frequentes treinamentos sempre aliados a uma dieta rigorosa, como requer a carreira de um profissional dedicado e focado na arte de esculpir os músculos.

Mesmo com uma genética excepcional, dedicação, conhecimento e cuidados, as exigências extremas por um largo período, fazem com que o organismo se ressinta e peça um tempo, uma pausa em tanta imposição na busca pela superação. O devido repouso dado ao corpo, muitas vezes revela ser surpreendentemente compensador levando a novos ganhos e conquistas. Oxalá seja o caso do Eduardo Corrêa, é o que todos nós desejamos de coração. 

Procuramos o Edu que prontamente nos atendeu com a sua costumeira atenção e amabilidade, nos contanto a seguir como foi essa sua batalha fora dos palcos do Olympia:

“Minha lesão desta vez foi bem diferente daquela que sofri em 2013, em que rompi o tendão do tríceps.

2014 foi um ano bastante conturbado culminando com um contrastante resultado de vice- campeão no Olympia 212. Eu havia me recuperado da cirurgia do tendão, mas por conta de uma série de compensações comecei a sentir fortes dores no outro braço.

Uma queda no final de 2014 também colaborou para agravar o problema.

Competi em 2015 e 2016 no limite do meu físico, sentindo fortes dores em todo o braço, não só no cotovelo, mas que percorria toda extensão do braço. Também perdi amplitude de movimento, chegando apenas aos críticos 60 graus de flexão. 

Por conta dessa limitação, e na tentativa de continuar treinando pesado, lesionei o ombro e tive que passar por uma nova cirurgia. Foram quatro cirurgias em apenas um ano sendo 3 no mesmo cotovelo e uma no ombro.

Houve a remoção de vários osteofitos que limitavam o movimento e causavam dor, também foi feito a liberação da cápsula articular e do nervo na parte anterior do braço. Para piorar, os médicos diagnosticaram também uma artrose.

Esse tipo de cirurgia é “menos complexa” do que aquela do tendão, mas demanda maior tempo e tem um protocolo de recuperação desconhecido, dai a dificuldade em conseguir voltar aos treinos.

Após a terceira cirurgia e seis meses totalmente em off, consegui restabelecer um movimento que julgo funcional para as minhas necessidades e objetivos. 

Passado nove meses desde a última cirurgia, já consigo treinar pesado e com bom controle da dor, isto me leva a crer que uma possível volta aos palcos possa ser realidade em breve.

Estou trabalhando com metas de curto prazo. Primeiro, irei observar como meu corpo responderá até, para então definir meus objetivos. Mas pretendo fazer uma competição no segundo semestre de 2019, com o propósito de conquistar uma vaga para o Mr. Olympia do próximo ano.

Me sinto bem motivado para fazer isso, e acredito que nas atuais condições eu tenho plenas chances de conseguir.
Tenho recebido muitas mensagens de apoio e estímulo por parte dos amigos e fãs do esporte e isso também me proporciona um grande animo a mais para não desistir.

Agradeço a todos que de alguma forma colaboram com a minha volta às competições e envio meu cordial abraço”.

– Eduardo Correa – Ifbb Pro Bodybuilder

Apesar dos traumas sofridos e talvez por isso mesmo, fica mais uma vez a lição para todos nós que adotamos a musculação como uma condição de vida, sejam atletas competidores ou não: Respeito os limites do corpo.

No caso de Eduardo, requisitado profissional, não é tão simples parar a qualquer momento, e em função dos seus múltiplos compromissos continuou com treinos intensos até o limite suportável da dor.

Mas para aqueles que não se encontram na situação de um atleta profissional, sempre que sentirem os “avisos” do corpo, parem. Repousar por um tempo para recarregar as baterias e voltar com força total. Treinando para construir, não para destruir