Os primórdios da musculação encontram-se registrados em paredes de tumbas funerárias egípcias, datadas de 4.500 anos atrás, demonstrando homens realizando exercícios com pesos. Um atleta célebre da antiguidade, Milo de Croton, campeão grego que foi um dos maiores ganhadores de medalhas nas Olimpíadas realizadas 550 a.C., realizava exercícios com pesos e consumia cerca de 8 kg de carne por dia.

Eugene Sandow, atleta do século XIX, considerado o pai da musculação moderna, realizava turnês pela Europa, com demonstrações de força e controle muscular através de seu físico privilegiado para a época.
O californiano Steve Reeves foi Mr. Universo em 1950 e celebrizou-se por sua atuação no cinema, como Hércules.

O que estes atletas têm em comum são uma genética privilegiada, disciplina persistente e técnicas individuais de treinamento e nutrição que proporcionaram resultados em aumento de massa muscular e perda de gordura.

Com o passar do tempo, temos visto atletas utilizarem, além de recursos ergogênicos como esteroides, GH, diuréticos, insulina, peptídeos sintéticos e outros, também recursos “estéticos”, como silicone, aplicações localizadas de gel ou óleo.

No caso de mulheres, a aplicação de próteses de mama, no sentido de preservar a feminilidade e sensualidade, é bem-vinda. Porém, quando há utilização de próteses e aplicações de substâncias localizadas em outras áreas do corpo de homens e mulheres, como glúteos, coxas, panturrilhas, ombros, peitorais e braços, além do risco direto à saúde temos uma perda de princípios básicos do bodybuilding como treinamento e nutrição.

Federações como a IFBB e NABBA nos últimos anos têm se manifestado contra estes recursos “estéticos”, muitas vezes desclassificando os atletas usuários ou simplesmente classificando-os em ultimo lugar. Porém, esta é uma orientação das federações para as categorias amadoras.

Durante as competições do Mr. Olímpia 2015, na categoria de bodybuilding masculino, tive contato com atletas que foram finalistas e pude perceber manchas roxas tipo hematomas e indícios de marcas de aplicações localizadas em ombros e braços.

Imediatamente fiz-me algumas perguntas: a) Sendo estes atletas seres humanos diferenciados geneticamente, é necessária esta prática?; b) Se eu consigo ver, os árbitros internacionais também conseguem, e então por que não tratam com rigor estes casos?

Todos se lembram quando Jay Cutler perdeu o título de Mr. Olympia para o atual campeão Phill Heath, porque na oportunidade Jay apareceu com um grande hematoma em um dos braços e explicou que o mesmo era proveniente de uma lesão.

A conclusão é que muitos fãs do esporte querem ver atletas cada vez maiores. Temos um praticante de musculação, dono de uma marca norte-americana de nutrição esportiva, que assume publicamente a utilização de recursos ergogênicos e “estéticos” e, apesar de seus braços com 60 cm de diâmetro, diz que está apenas em 5% do seu objetivo de tamanho muscular.

Queremos ver sim atletas cada vez maiores e mais definidos, mas não falsos músculos construídos à base de mentiras sintéticas. Bodybuilding de competição e “cirurgia plástica corporal” não combinam. Fica aqui a minha homenagem a todos os homens e mulheres que todos os dias vão para a academia e treinam para serem melhores, munidos de marmitas de dieta, coqueteleiras com pré-treino e proteína, calos nas mãos e muito coração valente.

Os prêmios alcançados por aqueles falsos atletas não são nada comparados com a vitória de todos os dias daqueles que treinam para serem campeões na vida
No meu tempo, óleo servia apenas para passar no corpo.

Viva o verdadeiro fisiculturismo!