Os benefícios do Jejum ao cérebro estão sendo comparados aos exercícios físicos em relação ao corpo.

A prática do jejum é milenar. Comum em diversas crenças religiosas como no cristianismo, budismo ou islamismo. Também relacionado a hábitos de higienização do corpo, à saúde orgânica e a uma grande variedade de dietas com abstenções diversas e variadas de alimentos.

Atualmente alguns cientistas estão se posicionando na contramão da crença de que ingerir alimentos a cada 3 horas é a melhor forma de se alimentar, e pregam o jejum.
Yoshinori Ohsumi, Premio Nobel de Medicina em 2016, é taxativo: “Jejum é muito melhor do que comer a cada 3 horas”.

O neurocientista Mark Mattson, do Instituto Nacional do Envelhecimento, e professor da Universidade Johns Hopkins, vai mais longe, afirmando que além de não prejudicar a saúde, jejuar pode trazer enormes benefícios ao cérebro. De acordo com ele, o jejum pode ser comparado aos benefícios que a atividade física trás para o corpo humano.

“Nosso cérebro fica mais ativo ao jejuar iniciando um processo de adaptação, assim como ocorre com os animais ao passar longas horas ou mesmo dias em jejum na busca da caça”.
Mas isso, em se considerando animais essencialmente carnívoros, cujo aparelho digestório está adaptado para tal abstenção. O ser humano é onívoro, e assim como os outros animais onívoros ou herbívoros, necessitam alimentar-se com mais constância.

Desafios para o cérebro, assim como os exercícios vigorosos, também poderiam ser oferecidos pelo jejum, por serem desafios cognitivos (de aprendizado).
Quando isso ocorre, os circuitos neurais são ativados e os níveis de fatores neurotróficos aumentam, promovendo o crescimento dos neurônios e a formação e fortalecimento das sinapses.

Uma dessas reações seria a adaptação feita pelo cérebro humano no período de jejum aumentando a produção de mitocôndrias nos neurônios. Essa alteração faz com que a habilidade dos neurônios de se conectarem também aumente o que acaba por promover uma melhor absorção de informações, favorecendo o aprendizado e a memória, afirmam os cientistas.

Mas este fenômeno também foi detectado pela ciência do exercício, que evidencia o estímulo ao nascimento de novos neurônios em função da contração muscular.

A prática dessa dieta, segundo estudo publicado no site científico The American Journal of Clinical Nutrition, está associada à redução de doenças cardiovasculares, câncer e no tratamento de diabetes.

Estudos feitos pela Universidade do Sul da Califórnia constataram que o jejum, além de proteger o sistema imune, ainda é capaz de regenerá-lo. No período que passamos sem nos alimentar, nosso corpo começa a poupar energia e assim, ele acaba “matando” algumas células imunes velhas que não estão mais trabalhando corretamente. Depois, ao nos alimentarmos novamente, criamos novas células que seriam imunes.

Assim sendo, o jejum faria uma “limpeza celular” no organismo, eliminando as células velhas e criando, a partir das células tronco, novas células, prontas para acelerar o funcionamento do nosso corpo, sendo capazes mesmo de reparar nosso DNA. De conformidade com estes neurocientistas, estas alterações em nosso corpo são capazes de prolongar nossa vida e ainda retardar ou mesmo impedir doenças degenerativas como Alzheimeir e Parkinson.

MAS ATENÇÃO!

Os cientistas advertem que não se trata simplesmente de parar de comer, o que poderá acarretar problemas sérios à saúde. Não sendo indicado ficar 24 ou mais horas sem comer, como alguns pretendem.

 

São sugeridas várias formas de praticar o chamado “Jejum Intermitente”. Um modelo para iniciantes seria o “5 x 2” cuja proposta é de jejuar por algumas horas extras em dois dias na semana e nos outros cinco dias comer normalmente.

Também é sugerido reservar algumas horas extras ao dia, como por exemplo, não ingerir alimentos das 8-9 da noite até as 8-9 da manhã em alguns dias. Ou ainda fazer duas refeições ao dia, almoço e jantar, e nos intervalos beber apenas água.

A proposta dos neurocientistas é que este novo hábito seja introduzido paulatinamente até que a pessoa se adapte a pratica do jejum.

 

NOSSA POSIÇÃO SOBRE O ASSUNTO

Como em tudo, a verdade se encontra em algum lugar ao meio do caminho, no ponto considerado de equilíbrio e de bom senso. Lembrando que mais não significa necessariamente melhor, e neste caso, menos também não.

Realmente não há estudos sérios que possam documentar os benefícios tão decantados em se comer a cada 3 horas, e na pratica podemos constatar esse fato. Muitos atletas se satisfazem com 3 ou 4 refeições/dia e nem por isso tem seu progresso físico interrompido. Também se observa que grandes atletas do passado faziam apenas três refeições ao dia (Steve Reeves foi um deles), e em algumas situações acrescentavam uma 4ª. refeição após os treinos, o que ficou demostrado ser correto e útil por facilitar a síntese proteica.

Afinal não há droga mais anabólica do que comida.

A prática mais comum na musculação entre atletas e treinadores experientes, está em seguir as necessidades individuais em relação à síntese proteica e a saciedade.

Fazer 6 ou 8 refeições ao dia, por si só não significa necessariamente maiores progressos. Bons resultados podem ser conquistados com 3 ou 4 refeições/ dia, conforme a individualidade biológica. Além disso, levar diariamente consigo seis ou mais marmitas de comida não é nada pratico, mas se assim o preferir, vá em frente.

Em relação ao emagrecimento, o jejum pode ser mais uma ferramenta a ser utilizada. Mas seria adequada para atletas ou pessoas que desejam aumentar ou manter a massa muscular no processo de emagrecimento? Pela nossa experiência podemos afirmar que não. A oferta adequada de nutrientes é fundamental para fornecer energia para o treinamento e a construção ou manutenção muscular.

Por outro lado, se o jejum é uma arma tão poderosa em favor da saúde, o exercício também o é. Vejam o que diz o Prof. Dr. José Maria Santarém *: “Numerosas evidências demonstram que os exercícios resistidos (musculação) são os mais eficientes para promover as aptidões necessárias para os esforços da vida diária (funcionalidade), aumentar a massa muscular, fortalecer os ossos, estimular o metabolismo, controlar o diabetes, a obesidade e a sarcopenia, além de diminuir a mortalidade por todas as causas, incluindo o câncer. Também têm efeito na promoção de saúde cardiovascular, evitando a aterosclerose, a hipertensão arterial, o infarto do miocárdio, o acidente vascular encefálico e a insuficiência arterial.”

Se você ficou tentado em experimentar o “Jejum Intermitente”, seja responsável e não faça loucuras com a sua saúde. Não pare simplesmente de comer sem o parecer do médico ou nutricionista, seja sensato e siga as orientações dos cientistas.

Veja a palestra na íntegra do neurocientista Mark Mattson (em inglês, mas você pode ativar a legenda em português):

Saúde, Força e Mesa Farta a todos.
– Eugênio Koprowski