Estatísticas mostram que o número de pessoas sedentárias tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. Dados apontam que 33% dos adultos são sedentários e nos adolescentes esse número é alarmante, chegando a 80% (1).

O sedentarismo está associado ao desenvolvimento de algumas doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, doença arterial coronariana e até alguns tipos de câncer, como do cólon e de mama, sendo responsável por 3.200.000 mortes/ano.

O conceito de sedentarismo é gastar menos do que 600 kcal por semana em atividades físicas. Isso significa que se você fizer atividades moderadas cinco vezes por semana com duração de 30 minutos ou atividades intensas três vezes por semana durante 20 minutos estará fora do grupo de sedentários. Portanto, atividades braçais diárias como subir escadas, carregar e levantar coisas, entre outras, podem contribuir para aumentar o gasto calórico e ativar o metabolismo, prevenindo assim doenças.

Estudos vêm mostrando os benefícios das atividades físicas na promoção da saúde e a sua relação está associada não somente às adaptações fisiológicas do organismo, como aumento do calibre das artérias, aumento da massa muscular e óssea, mas principalmente pela produção e liberação de substâncias anti-inflamatórias, chamadas de miocinas, pelo músculo durante a sua contração (5).

As atividades físicas quando sistematizadas e com o objetivo de melhorar a força, a resistência, a coordenação e outras aptidões físicas são chamadas de exercícios. Os exercícios mais eficientes na melhora das aptidões físicas e para a promoção de saúde são os mais intensos, que também são os menos seguros, por sobrecarregar as articulações e provocar lesões, como os jogos com bola, as lutas e atividades aeróbias, correr, nadar e pedalar.

A musculação, que tem sido objeto de estudos nos últimos anos, tem a vantagem de associar esses dois aspectos importantes: eficiência, justificada pelo número grande de recrutamento de fibras musculares, e segurança, porque as sobrecargas podem ser controladas pela manipulação de fatores como posição do corpo, velocidade, cargas e amplitudes, além do volume de treino.

Musculação: mais segurança e eficiência

Na adolescência as atividades com bolas, jogos e lutas são mais atrativos por serem mais dinâmicos e a grande maioria envolver momentos de competições em grupos. Mas a musculação pode ser uma grande aliada no programa de exercícios semanais do adolescente por promover aumento de força, potência e resistência, equilíbrio de forças nas articulações, prevenção de lesões esportivas, melhor desempenho esportivo, melhora da composição corporal, além de ser a profilaxia ideal da osteoporose (2, 3).

Não existem evidências de prejuízo ao crescimento estatural na musculação, mas alguns cuidados são fundamentais para evitar lesões, como não utilizar cargas elevadas (menos de seis repetições) ou praticar levantamento de peso competitivo entre 15 e 16 anos, idade de maturação 3. A recomendação é treinar de duas a três vezes por semana, com duração de 20 a 30 minutos por sessão; evitar iniciar um programa de musculação antes dos oito anos, justificado inclusive pela falta de projetos de equipamentos ideais de musculação para essa faixa etária 4, muito embora já existam equipamentos de musculação adaptados para crianças e clínicas especializadas.

Vários autores, como Kraemer e Fleck, até recomendam treinamento resistido para crianças. Estatísticas mostram que a faixa entre 14 – 16 anos é a idade em que a maioria dos atletas se inicia na prática dos levantamentos de peso e fisiculturismo.

A orientação de um profissional de educação física com especialização é de extrema importância para a segurança e melhor acompanhamento de crianças e adolescentes em um programa de musculação.


FONTES
1. www.thelancet.com. Vol. 380 July 21, 2012
2. Strength Training by Children and Adolescents. Council on Sports Medicine and Fitness. Pediatrics 121;835-840, 2008.
3. Weight Training in Youth–Growth, Maturation and Safety: An Evidence-Based Review. Robert M. Malina, PhD Clin. J. Sport Med. 2006;16:478–487
4. “Care of the Young Athlete”. American Academy of Pediatrics. Am. Acad. of Orthopedic Surgeons, 1999. “Strengh Training for Young Athletes”. Kraemer & Fleck, 1993.
5. Santarem, J.M. Musculação em todas as idades. Ed Manole, 2012.