A pergunta pode parecer simples, mas muita gente se complica na resposta. Frequentemente, arguidos nas palestras que faço por aí, pessoas na audiência tem dificuldade em formatar um conceito para saúde: “Saúde é não ficar doente, é estar bem, é sentir-se saudável”… E por aí vai.

Penso que através da consciência é possível transformar aqueles que são os seus hábitos nas recomendações gerais para boa saúde, fundindo-os em uma só existência leve e feliz. Mas como alcançar essa evolução sem a compreensão plena do que é saúde?

Então vamos por partes.

No dicionário, o verbete “saúde” é definido como o estado habitual de equilíbrio do organismo, estar são, normal. Acho difícil, através dessa definição, compreender se estou saudável ou não. Afinal, o meu normal pode ser desequilibrado, ou meu equilíbrio pode ser baseado em compensações, quando alguns sistemas são sobrecarregados para compensar outros deficientes. Portanto, não considero o dicionário uma boa referência para compreender saúde.

A Organização Mundial de saúde (OMS) define saúde como um estado de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Bem melhor. Consigo identificar se estou me sentindo bem, em vez de “normal”, e aprendo que o simples fato de não estar mal ou doente não implica necessariamente estar saudável ou bem. Além disso, a extensão do conceito para além do físico traz reflexões importantes. De que adianta estar fisicamente 100% se não me relaciono bem com as pessoas, se sou isolado, se não consigo trabalhar em equipe, e isso me traz infelicidade, angústia, ansiedade? Essas circunstâncias e sentimentos já não caracterizariam um mal estar social e mental?

Então a saúde física está entrelaçada com a convivência social, familiar, profissional, e com a serenidade, a quietude mental, a lucidez. Interessante, mas ainda deixa dúvidas sobre o quão saudável estou, como quantificar isso. No meu livro “Saúde: O maior dos prazeres”, abordo o conceito de reserva funcional como equivalente à saúde.

Então vamos lá:

Reserva é ter mais do que o necessário. Exemplo: Reserva financeira é uma poupança para momentos difíceis, e saúde financeira, ganhar mais do que gasta; Reserva física ou mental, portanto, seria a diferença entre o que ordinariamente nos é requerido no dia a dia e o que temos para dar. Quanto maior a distância entre a necessidade e a capacidade, maior a reserva, maior a saúde .

Aos vinte ou 30 anos de idade, nossos sistemas estão jovens, nossas “peças” pouco desgastadas, e a capacidade funcional geralmente é grande e não há tanta diferença entre quem se cuida e quem está um pouco negligente. Se não é esperado que uma pessoa com 25 anos de idade atleta tenha um ataque cardíaco se subir dois ou três lances de escada, tampouco isso se espera de um jovem negligente com a saúde. O sedentário vai ficar ofegante, mas provavelmente só. Contudo, a partir dos 40 a 50 anos, as curvas de reserva entre os que têm uma identidade saudável e os que não têm começam a se afastar bastante, e uma pessoa com 50 a 60 anos que nunca se cuidou fica com muito pouca margem. Ou seja, a diferença entre a demanda e o máximo que ela pode oferecer vai se estreitando. Qualquer aumento e há insuficiência, ou até falência. Seja cardíaca, pulmonar, renal, musculoesquelética, mental, entre outras.

Cria-se então, o conceito de IDADE FUNCIONAL, que nada mais é do que usar sua capacidade de reserva como marcador de sua idade, e não há quantos anos você está nesse mundo.

A figura abaixo ilustra o conceito de idade funcional. O idoso jovem e saltitante tem idade, mas tem reservas e plena interação com a vida. O idoso velho, gasto, está nos limites, ou já passou deles, frequentemente limitado e com uso de várias medicações para manter-se minimamente interativo com a vida.

Se compararmos a curva de um idoso jovem e que se cuida, veremos que aos 70 anos a função orgânica permanece próxima de 100% , enquanto um idoso que nunca se cuidou , está com função média ao redor de 40%. Lembrando que as necessidades mínimas do corpo são atendidas com 20 a 25% da capacidade funcional, ou seja, entre 25% de demanda e 40% de capacidade de oferta a diferença é muito menor do que entre 25%e 100%. Assim, enquanto o Prof. Eugênio Koprowski do alto de seus 70 anos esbanja saúde e interage plenamente com a vida, mental, física e socialmente, uma outra pessoa na mesma idade vive cercada de medos, limitações e medicações para sobreviver.

O que me leva, finalmente, a minha definição de saúde:

A CAPACIDADE DE INTERAGIR PLENA E SATISFATORIAMENTE COM A VIDA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS. 

Nunca é muito tarde ou muito cedo para começar a investir nela, e certamente, será a decisão mais importante de sua vida.

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