“Mestre Eugênio Koprowski,

Interessante a matéria em que menciona o “ritmo escápulo-umeral” na execução do supino; posicionando os ombros em diagonal e descendo a barra “mais abaixo”, suportaremos maior carga e tem-se a mobilidade da articulação do ombro facilitada, correto? Contudo, se a intenção é justamente a estimulação da musculatura peitoral, um maior alongamento é bem-vindo, não é mesmo? Assim, ainda que a carga seja minorada, a solicitação do músculo alvo é enfatizada, estou certo? Producente, ou não? Ouvi o atleta Eduardo Corrêa dizendo ao executar o supino com halteres ao invés de com a barra que há o benefício da articulação do ombro movimentar-se mais “livremente”. E quanto ao trabalho específico de fortalecimento do Manguito Rotador?” – Dirceu

 

Resposta: Prof. Eugênio Koprowski
Prof. Eugenio KoprowskiOlá, Dirceu,
Estou encaminhando a sua pergunta ao autor da matéria, o Professor Denilson Costa. Talvez ele tenha um tempinho
para responder.

Adianto que a preocupação com o Manguito Rotador em nosso meio é muito mais acadêmica do que real, tanto que a tendinite do manguito é denominada “ombro de tenista”. Com halteres, existe a possibilidade de trabalhar o músculo peitoral com posicionamentos e ângulos mais variados e de alongar mais o peitoral, mas vai depender da carga. No emprego de pesos elevados não se recomenda movimentos muito alongados, pode provocar lesões em função de que as estruturas ficam relativamente desprotegidas no final da fase excêntrica.

Considere que as recomendações e considerações são para atletas que querem aumentar a marca do supino, não tanto com o propósito de aumentar massa muscular.

Prof. Denilson CostaResposta Prof. Denilson Costa
Dirceu, desde já agradeço teu retorno pela matéria. O Eugênio já respondeu a questão. Temos até esse ponto, estabelecido na base do senso comum (mas já existem alguns trabalhos acadêmicos verificando), a visão de que movimentos em maior amplitude não somente promovem maior desenvolvimento muscular, mas um desenvolvimento proporcional da força em todos os ângulos. A posição discretamente diagonal vem justamente favorecer tanto uma maior amplitude, como um maior conforto articular!

Se você, no entanto, deseja ir além disso, e apontar os cotovelos totalmente para os lados ou para trás, trazendo a barra no meio do peito ou até mesmo na região clavicular, na tentativa de aumentar a amplitude ainda mais, terá, como Eugênio disse, menos proteção ainda nos tendões e cartilagens. Fica valendo então o alerta: “No emprego de pesos elevados não se recomenda movimentos muito alongados”, ou seja, se você deseja o máximo de amplitude possível no meio do peito ou na clavícula, esqueça as repetições baixas ou o treinamento até a falha total, e as repetições forçadas, uma vez que essas duas últimas variáveis tiram o praticante do “trilho ideal” de movimento, devido a fadiga (efeito também já verificado em laboratório).

A mensagem final é SEGURANÇA. Se você fez todos os ajustes de posição e mesmo assim o seu ombro dói, execute o seu movimento na amplitude livre de dor e atrito, mesmo que seja curta! Antes treinar curto que parar de treinar por estar machucado!