A obesidade é mais uma situação patológica crônica que tende a evoluir para a aterosclerose. Pessoas sedentárias e obesas costumam apresentar altos níveis de PCR, indicadores de risco aumentado para doenças cardiovasculares, determinados pelas interleucinas pró-inflamatórias como o TNF- alfa.

Pelo mecanismo das miocinas, a contração muscular habitual oferece proteção para os efeitos deletérios da obesidade. Por outro lado, a redução da gordura corporal ocorre quando o organismo se encontra em balanço calórico negativo, situação em que ingerimos menos calorias do que o necessário para o nosso gasto energético diário.

Existem apenas três formas para se gastar calorias : as utilizadas no metabolismo basal, as necessárias para digerir os alimentos, e as consumidas na contração muscular.

Cerca de 70% do gasto calórico diário ocorre em repouso, no metabolismo basal: são as calorias necessárias para manter as funções celulares de todo o organismo ou, em outras palavras, a vida. As calorias utilizadas para digerir os alimentos representam uma pequena quantidade, mas a atividade física pode ter maior representatividade no balanço calórico diário.

Todo tipo de atividade física contribui para o emagrecimento por gastar calorias, mas as atividades que aumentam a massa muscular têm mais uma contribuição: aumentam o metabolismo basal. Pode-se estimar que o aumento de 1 a 2 quilos de massa muscular pode levar, isoladamente, à perda de 1 a 2 quilos de gordura por ano.

Contudo, o processo mais comum é o contrário: as pessoas perdem massa muscular progressivamente no sedentarismo e passam a engordar de forma contínua.

Aspecto de menor importância é o tipo de substrato energético consumido nos exercícios. Um dos grandes mitos da atividade física é que só os exercícios aeróbicos suaves emagrecem, pois mobilizam gordura com glicose.

Nos exercícios aeróbicos intensos (na realidade uma atividade anaeróbia, como já vimos) e na musculação não ocorre mobilização de gordura a partir do tecido adiposo para produzir energia, mas o emagrecimento tende a ser maior do que nos exercícios suaves devido ao maior gasto calórico.

Ocorre que quando consumimos principalmente glicogênio para produzir energia, a mobilização de gordura se dá após os exercícios, quando o organismo usa carboidrato alimentar para repor o glicogênio muscular e faltam calorias para manter a vida.

No entanto, independentemente do exercício, se a pessoa não ingerir menos calorias do que gasta não ocorrerá emagrecimento e poderá haver acúmulo de gordura se a ingestão for superior ao consumo. Numerosos trabalhos documentam que a musculação é eficiente para estimular a redução da gordura corporal.

Para pessoas obesas e sedentárias, costuma-se associar a musculação com exercícios aeróbicos suaves. Porém, muitos obesos não conseguem realizar exercícios contínuos porque não suportam as sobrecargas musculoesqueléticas ou cardiovasculares. Por sua característica de exercício controlado, a musculação sempre é possível e com a melhora progressiva da aptidão, exercícios aeróbicos como caminhar poderão ser introduzidos.

A chamada “zona de emagrecimento” da intensidade dos exercícios contínuos é um exemplo de que muita coisa pode ser verdade, mas não ser importante. Quando mantemos frequência cardíaca adequada e tempo adequado de exercício aeróbico conseguimos mobilizar mais gordura em associação com a glicose, com relação a outras intensidades e durações de exercício. No entanto, como já exposto, isso não é importante porque mesmo quando não mobilizamos gordura para produzir energia durante os exercícios o emagrecimento ocorrerá após a atividade, no período de recuperação do organismo e reposição de substratos energéticos, desde que ocorra o balanço calórico negativo.

Aspecto que pode ter alguma importância é que os exercícios aeróbicos intensos e prolongados tendem a dificultar o ganho de massa muscular. Não está ainda bem esclarecido com evidências se para o objetivo de emagrecimento é melhor gastar muitas calorias com exercícios mesmo prejudicando o aumento da massa muscular, ou se é melhor gastar menos calorias e aumentar o metabolismo basal com maior quantidade de tecido muscular.


Referências bibliográficas:
Livro “Musculação em Todas as Idades”, de JM Santarem
www.treinamentoresistido.com.br