A maioria dos suplementos dietéticos são voltados para o uso em adultos, porém mais e mais pais estão se voltando para a saúde e o bem-estar dos filhos (LOMAN, 2003; ZHANG, et al., 2011). Com isso, cresce a oferta de suplementos para o público infantil. Mais de 30% das crianças norte-americanas com idade inferior a 18 anos tomam suplementos dietéticos, sendo os mais comuns o uso de multivitamínicos e multiminerais (PICCIANO, et al., 2007).

A demanda por suplementos dietéticos infantis está em constante crescimento nos países ditos “desenvolvidos” e, sendo assim, esperamos que aconteça nos países emergentes, como o Brasil.

Em primeiro lugar, a forma de dosagem de um suplemento dietético varia dependendo da idade da criança e de suas necessidades nutricionais. As crianças muitas vezes têm dificuldades em engolir cápsulas ou comprimidos. Elas também têm sentidos bem desenvolvidos no que diz respeito ao paladar e olfato, portanto os líquidos, xaropes, chás, gomas de mascar, gel, variedades de pó ou outras formas solúveis podem não ser bem aceitas se o produto tiver um sabor desagradável (MENNELLA; BEAUCHAMP, 2008). Lembrando e reforçando que antes de iniciar uma intervenção nutricional, é imprescindível a busca de informação com profissionais habilitados, assim sendo, nutricionistas.

 

Suplementação para Crianças

Atualmente, as crianças estão mais adeptas de uma alimentação rica em açúcares, seja por influência direta dos pais (antes mesmo de ter conhecimento do sabor) ou por influência de amigos e/ou pais dos amigos, como agrado. Crianças participam de meios sociais que acham ser convenientes e próximos do que se diz respeito à própria personalidade. Com isso, o fato de não aceitar alimentos antinutricionais oferecidos pode parecer estranho e deslocado, soando como uma desaprovação e uma infeliz aceitação para os outros integrantes do grupo. Grande parte das crianças atualmente se alimenta de biscoitos, bolachas, salgadinhos industrializados acompanhados de bebidas ricas em açúcares, sódios e aditivos químicos. Alguns aditivos químicos podem ocasionar alergias, hiperatividade e estão diretamente relacionados com déficit de atenção e até mesmo com o aparecimento de células cancerígenas. O fato acontece principalmente em crianças que consomem em excesso a grande gama de produtos industrializados.

Diversas pesquisas demonstram que crianças acabam por desenvolver uma deficiência da vitamina D por não se exporem ao sol com uma frequência necessária. Dado esta evidência, as formas de lazer escolhidas nos dias atuais são os Vídeo-games, PC Gamers, Computadores, Tablets e afins. Outro nutriente em vigência, deficiente nas crianças atualmente, o ômega-3 é apontado como necessário para o bom funcionamento imunológico, mental e cognitivo. Ele pode ser encontrado numa dieta rica em peixes, sementes de linhaça, leguminosas, laticínios infantis fortificados com ômega-3, entre outros mais. Pode ser útil como estratégia nutricional a prescrição de óleo de peixe em forma de suplemento.

 

Micronutrientes em déficit

Embora a maioria dos polivitamínicos e poliminerais destinados às crianças sejam geralmente seguros, você deve falar com seu médico ou nutricionista antes de administrar a seus filhos qualquer tipo de suplementação dietética, especialmente para aqueles que são formulados para adultos.

A desnutrição de micronutrientes é muitas vezes referida como “fome oculta” e é bastante visível em países subdesenvolvidos e em países emergentes. A fome oculta é uma deficiência nutricional caracterizada por uma dieta pobre em calorias vazias e não se refere à fome evidente e propriamente dita das pessoas incapazes de pagar pelo seu alimento, e sim de um tipo mais insidioso de fome, que é causada pela ingestão de alimentos baratos e fartos no mercado porém deficientes em vitaminas e minerais essenciais.

A desnutrição de micronutrientes tem sido relatada como um importante problema de saúde publica. Porém, se não identificados imediatamente, as crianças afetadas sofrerão consequências a longo prazo, tais como a atrofia do crescimento corporal e diferentes graus de déficit neurocognitivo. Na busca da consciência saudável, o uso de suplementos alimentares tem se tornado comum entre jovens e crianças. Como resultado, é necessária uma avaliação da eficácia destes suplementos para atender as necessidades nutricionais. Levando em consideração que alguns suplementos dietéticos, tais como os comprimidos de ferro podem causar toxicidade, quando tomado em grandes quantidades. Selênio e vitaminas A e D também podem atingir níveis tóxicos em crianças, quando administrados em grandes dosagens.

Logo, a intervenção necessária para reduzir a desnutrição de micronutrientes incluem uma educação nutricional e uma correta suplementação dietética.

 

Whey Protein na lancheira?

O consumo de leite de vaca é recomendado em muitos países. Estudos de intervenção e observacionais mostram que o leite de vaca pode ter efeitos positivos específicos na influencia do crescimento nas crianças. A relação acontece entre os componentes principais, tais como a proteína, minerais, vitaminas ou a combinação destas. As proteínas do leite de vaca correspondem a 80% do seu conteúdo na forma de caseína e 20% do soro de leite, ou seja, o Whey Protein. Esta proteína tem uma qualidade ligeiramente mais elevada do que a caseína. Diversos estudos esclarecem que o Whey Protein também tem um potencial para aumento de massa muscular, além de saciar a fome e fortificar o sistema imunológico. O mecanismo de estímulo do crescimento muscular a partir do Whey Protein está diretamente relacionado com a expressão do IGF-1 (Insulin-Like Growth Factor-1) (MOLGAARD, et al., 2011) e dos aminoácidos de cadeia ramificada ACR (Branched-Chain Amino Acid – BCAA), em particular a leucina por estar envolvida no anabolismo proteico e na sinalização de insulina (XU, et al., 1998). Além disso, os aminoácidos de cadeia ramificada favorecem o processo de cicatrização e propiciam efeitos benéficos no tratamento de doenças hepáticas e renais (ROGERO; TIRAPEGUI, 2008).

Outro aspecto importante do Whey Protein levantado em estudos com crianças é o seu poder antioxidante. O Whey Protein contém em sua fórmula a cisteína, que eleva as concentrações de glutationa, além de ser uma fonte de cálcio bem definida. A glutationa participa da limpeza de radicais livres e na degradação enzimática de espécies reativas de oxigênio, sendo considerada um dos mais importantes antioxidantes (VAN KLAVEREN; DEMEDTS; NEMERY, 1997; CHANTRY, et al., 1999; BADALOO, et al., 2002).

Estudos feitos em crianças de ambos os sexos com idade aproximada de 12 anos, diagnosticadas com asma e suplementadas com Whey Protein concentrado por um mês, resultaram na diminuição dos níveis de IgE (Imunoglobulina E) nas crianças. O suplemento foi bem aceito, sem efeitos adversos e bem tolerado, sem comprometimento das funções renais (LOTHIAN; GREY; LANDS, 2006).

Moreno e Colaboradores (2005) demonstraram em crianças de 12 anos de idade com HIV positivo que a administração de Whey Protein concentrado aumentou os níveis de glutationa, sugerindo uma melhora na proporção TCD4/CD8, diminuindo a ocorrência de co-infecções agudas, demostrando o papel do Whey Protein como um imuno-modulador do sistema imunológico.

Portanto, o leite de vaca, mais precisamente o soro do leite (Whey Protein) representa uma importante fonte de proteína de alta qualidade nutricional. No entanto, cresce a intolerância a lactose e as alergias por conta do fator hiperalergênico do leite, ficando notável a recomendação de Whey Protein.

Em resumo, o desenvolvimento de suplementos dietéticos para crianças envolve muitos desafios para os fabricantes. As empresas dirigidas para o público infantil devem também compreender as complexidades de fabricação dos produtos para esta faixa etária em relação às formulas, dosagem, palatabilidade e rotulagem. Quanto mais os pais olharem para a indústria de suplementos, visando promover a saúde e bem-estar de os seus filhos, o objetivo final continua sendo a utilização de suplementos mais seguros e eficazes.

As cantinas escolares estão repletas de alimentos sem valor nutricional equilibrado, ao passo que muitas vezes inexiste outra opção adequada. As crianças ficam sem opções de escolha, propiciando a ingestão de alimentos cada vez mais ricos em açúcares e gorduras trans. No entanto, algumas intervenções nutricionais simples podem ser feitas rotineiramente, como a substituição de um alimento líquido rico em açúcares simples. Por exemplo, os achocolatados ou sucos industrializados podem ser substituídos por um alimento mais rico em proteínas de alto valor biológico. O Whey Protein preenche perfeitamente esta necessidade, viabilizando uma ingestão mais completa em nutrientes e com sabor pautável. Quando combinado a um carboidrato de baixo índice glicêmico, como o Waxy Maize, responsável pelo fornecimento de energia a nível prolongado sem causar hiperinsulinemia e evitando a diminuição drástica da glicose sanguínea circulante, a suplementação com Whey Protein é indicada sim para crianças.


REFERÊNCIAS
LOMAN, D.G. The use of complementary and alternative health care practices among children. J Pediatr Health Care v.17, p.58-63, 2003.
ZHANG, Y.; FEIN, E.B.; FEIN, S.B. Feeding of dietary botanical supplements and teas to infants in the United States. Pediatrics v.127, p.1060-1066, 2011.
PICCIANO, M.F,; DWYER, J.T.; RADIMER, K.L.; WILSON, D.H.; FISHER, K.D.; THOMAS, P.R. YETLEY, E.A.; MOSHFEGH, A.J.; LEVY, P.S.; NIELSEN, S.J.; MARRIOT, B.M. Dietary supplement use among infants, children, and adolescents in the United States, 1999-2002. Arch Pediatr Adolesc Med v.161, p.978-985, 2007.
MENNELLA, J.A.; BEAUCHAMP, G.K. Optimizing oral medications for children. Clin Ther vol.30, p.2120-2132, 2008.
MOLGAARD, C.; LARNKJÆR A.; ARNBERG, K.; MICHAELSEN, K.F. Milk and Growth in Children: Effects of Whey and Casein. Nestlé Nutr Inst Workshop Ser Pediatr Program vol.67, p.67-78, 2011.
XU, G.; KWON, G.; MARSHALL, C.A.; LIN, T.A.; Jr LAWRENCE, J.C.; McDANIEL, M.L. Branched-chain amino acid are essential in the regulation of PHAS-I and p70 S6 Kinase by pancreatic B-Cells. The Journal of Biological Chermistry v.273, p.28178-28184, 1998.
ROGERO, M.M.; J. TIRAPEGUI. Aspectos atuais sobre aminoácidos de cadeia ramificada e exercício físico. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences v.44, p.563-575. 2008.
VAN KLAVEREN, R.J.; DEMEDTS, M.; NEMERY, B. Cellular glutathione turnover in vitro, with emphasis on type II pneumocytes. Eur Respir J v.10, p.1392-1400, 1997.
CHANTRY, C.J.; RODRIGUES, J.L.; FEBO, I.; DIAZ, C.; RODRUGUEZ-ORENGO, J.F. Plasma glutathione concentrations in non-infected infants born from HIV-infected mothers: developmental profile. Puerto Rico Health Sciences Journal v.18, p.267-272, 1999.
BADALOO, A.; REID, M.; FORRESTER, T.; HEIRD, W.C.; JAHOOR, F. Cisteine supplementation improves the erythrocyte glutathione synthesis rate in children with severe edematous malnutrition. Am J Clin Nutr v.76, p.646-652, 2002.
LOTHIAN, J.B.; GREY, V.; LANDS, L.C. Effects of whey protein to modulate imune response in children with atopic asthma. Int J Food Sci Nutr v.57, p.204-211, 2006.
MORENO, Y.F.; SGARBIERI, V.C.; SILVA, M.N.; TORO, A.A.D.C.; VILELA, M.M.S. Features of whey protein concentrate supplementation in children with rapidly progressive HIV infection. Journal of Tropical Pediactrics v.52, p.34-38, 2005.